segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Página 26.

-Como você está? - ela perguntou acolhedoramente,pelo menos tentrando.
Eu sabia que era por educação mas não consegui não ser exásperada na resposta,era como forma de cauteloza.
-Como você acha? - falei amargamente.
-Desculpe,também acho que foi uma pergunta idiota. - percebeu ela.
-Por que você me chamou? - perguntei depois de um tempo.
-Preciso conversar com alguém e acho que eu e você estamos no mesmo barco – deu de ombros.
Não consegui deixar de rir com sua feição e ela me acompanhou.Eram risos tristes mas naquele momento nós duas percebemos que todas as diferenças que tivemos até ali foram banais,da parte dela era ciúmes e da minha era pura ignorência por não ententedê-la.Então percebemos naquele momento que estávamos no mesmo barco,quase,navio.
-Então - ela disse parando de rir - Morango ou chocolate?
Não entendi e então olhei para a pía e era dois potes de sorvete.
-Chocolate
-Calda?
-Morango
-Você e o Léo são idênticos não posso deixar de citar - ela disse e sorriu.
-Éramos idênticos.Alguma pessoas até falavam que éramos iguais até demais mas em algumas coisas somos o lado oposto
-Concordo,tipo...
-Música.Ele ama rock e samba e eu amo pop e eletrônica,fora a romântica que esse os dois amam.
-Verdade.
-Mas por que sorvete?
-Gelado é bom para chorar as mágoas! Fora que eu amo comer doce quando estou triste. - ela murmurou.
-Pensei que eu era a única pessoa fora o Leonardo de estar chorando ás mágoas.
-Ele não está chorando as mágoas – falou ela seca de tão triste.
Eu fiquei pasma porque passou muitas,muitas coisas mesmo passavam pela minha cabeça.
-Como assim?
-Ele está louco de tão triste.Ele está desesperado,nervozo consigo mesmo.Mágoa para ele é pouco.
-Até parece que você está falando de mim e não dele. - sorri capisbaixa
Ela se surpreendeu.
-Mas eu ainda não entendo por que você me chamou aqui.
-Eu queria te explicar tudo certinho,pergutar e te dar uma resposta.
-Começa então pelas perguntas.
-Você está mesmo namorando o...aquele garoto? - quis saber ela.
-O Marco?
-Sim,esse mesmo.
-Sim,estou. -
-Pelo jeito você não ama tanto o meu filho como diz - ela criticou exásperada.
-Se ele me amasse não teria feito aquilo,e pensei que seriam perguntas e respostas,não insinuações e muito menos critícas,se é isso eu tenho mais coisa para fazer - falei na defensiva.
-Não,por favor. - ela segurou a minha mão e eu a olhei - Não estou acostumada a ficar sem fazer nada a não ser reclamar da vida,
,mesmo se ela é muito boa para mim,o meu chão se foi...
-Te entendo - eu disse voltando a me sentar na cadeira - É complicado.
-Nem me fale.
-Ele gostava muito de você,naquele dia ele até chegou a falar para mim que não iria sem você mas eu pus a maior pilha para ele ir e ele acabou indo.depois disso - no dia seguinte - ele me explicou e disse que era um covarde para não ir falar com você e ficou preso no quarto,não deixava ninguém entrar,nos três primeiros dias não comia nada mas depois eu convenci ele de comer,depois ele começou a recuperar as forças.
-Mas naquele dia que eu fui na sua casa - na primeira vez - ele estava saindo...
-Não sei como mas ele estava no quarto e eu estava levando a comida dele mas ele saiu correndo e só disse:Ana! e depois eu entendi mas não tinha tocado a campainha e nada.
Fiquei surpreza.
Paramos de falar um minuto inteiro e logo percebi que o assunto seguinte seria o que eu menos queria falar,dizer oou responder..
-Eu acho que a Carol já te contou,né? - começou ela a falar.Sua mão que estava sobre a mesa unidas,agora estavam se remexendo nervozamente.
Eu assenti
-Antes que você comece a dizer que ele não te amasse ele só vai fazer isso para que a criança não more na rua. - ela pausou - A mãe dela foi muito radical mas eu te garanto que eles não vão dormir juntos e não vão fazer nada de um casal normal.
-Mas como eles vão aquentar se vão estar casados?
-Eles vão fazer um contrato.O primeiro pedido é que não tenham nenhum contado fisico e muito menos sexual,também não podem dormir juntos na mesma cama e antes que você pergunte: ela vai ficar no quarto dele e ele vai para o quarto do fundo do quintal.
Suspirei pesadamente e lágrimas começaram a sair do meu rosto.

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