domingo, 21 de agosto de 2011

Página 45.


-Ana vai arrumar a sua mala enquanto eu ligo para o seu Zé. - disse a Manda pegando o celular.
Eu assenti e a conduzi para o meu quarto.
-Aquilo foi impressão minha ou você ficou chateada com a sua mãe? - começou ela,num sussurro,meio surpresa.
Assenti.
-Você deve estar bem ruim mesmo,né? - como eu não queria falar o que ela já sabia,só bati a gaveta da minha estante com tudo.
Ela percebeu. Logo mudou de assunto.
-Leva bastante roupa de frio que lá faz muito frio. Ah,um pouco de roupa velha também é bom por que se você não quiser sujar tanta roupa vai ser bom.
Eu assenti.
Peguei a minha mala azul marinho e joguei todas a minhas roupas de frio e só duas de calor,joguei também o meu pijama.Eu não coloquei tudo certinho mas já que tudo estava dobrado e eu queria sair logo dali,eu pensei “Dane-se”.Peguei mais algumas coisas e botei dentro da mala.
-Boa noite seu Zé,tudo bem com o senhor? Sou eu a Amanda.Não,não aconteceu nada,é que eu só estou ligando para avisar que uma amiga minha está indo para aí para passar o final de semana...Tudo bem,deixa a chave com ela e depois o senhor vai viajar...sim - ela me olhou e sorriu - Ela é de confiança...Ela vai sair daqui a uns...?
-5 minutinhos - sussurrei
-5 minutinhos - respondeu ela - O nome dela é Ana...sim,ela está indo de carro e sim meus pais sabem...Então até lá. Obrigada.
Ela desligou.
-Ele se preocupa muito comigo,tipo,acha que tem que me proteger já que conhece a minha família a anos... - bufou ela.
-Normal,da parte dele,Manda,afinal,hoje em dia o mundo não é o mesmo da época dele.
-Concordo.Mas mudando de assunto,vamos?
-Claro,você quer que eu te leve em casa?
-Claro que não! Eu vou a pé mesmo,e além do mais,você tem 5 minutinhos e já se passaram... - ela olhou no relógio de pulso - já se passaram 2 minutos.
-Então vamos.
Eu fui até a sala e o Pietro estava no colo da minha mãe.
-Ana,filha, tome muito cuidado,por favor. - dizia ela um pouco aflita.
-Mamãe,eu não vou ir embora,eu ainda não estou tão louca - ela pareceu se aliviar com essa resposta mas mesmo assim tinha um pesar nos olhos,mas mais tarde,eu ia saber o que era aquilo.
-Você vai ficar bem,né irmãnzinha? - disse o Pietro com aquela voz inocente mas ao mesmo tempo com suspeita na voz.
-Claro que vou! - abaxei-me e dei um beijo no alto de sua testa. - Vou ficar muito bem... - sozinha,terminei em pensamento.
-Eu não posso ir com você? Sabe? Eu sou homem e eu posso cuidar de você,sempre!
-Hoje não,Pietro,mas na próxima quem sabe?
Ele fez um biquinho.
-Se cuida querida. - disse mamãe ainda preocupada.
Mamãe veio e me abraçou,a próxima foi a Amanda e por último foi o Pietro que continuou com aquele biquinho.
-Tudo vai dar certo,irmãnzinha,ele te ama! - sussurrou no meu ouvido.
Como uma criança de 5 anos sabe que eu estou triste por causa...dele?
Eu apenas sorri.
Ou melhor,tentei sorrir. Logo sai;
Fui em direção ao carro coloquei a mala no porta-malas e liguei ele em seguida. Minha mãe abriu o portão para que eu saísse,e quando eu sai...Me senti mais leve,leve demais! A caminho do sítio,abri um pouco a janela do carro e senti aquele vento gélido levar as minhas lágrimas com ele. Sei que sou meio dramática,mas chorar me fazia me aliviar,e chorar como eu estava chorando era uma sensação tão boa! Sem culpa,sem medo,sem nada.Só chorar.Muito podem pensar “Garota,você é louca,não existe só ele de garoto no mundo” Mas ele é o único que o meu coração conhece. Sabe aquela famosa frase que tem nos livros infantis de contos de fadas? “Eles viveram felizes para sempre?” Ou então,desde que você se conhece que sempre tem alguém que fala de alma gêmeas? Então,ele era a minha alma gêmea.Ele era o homem que eu tinha escolhido pra a minha vida inteira até o fim dos meus dias,até o meu último instante...era com ele que eu queria ter o meu “Felizes para sempre!” - e eu sei que isso parece meio clichê.
Não vou negar que eu acelerei para chegar mais rápido ao meu destino e quando cheguei...
Tinha um homem me esperando na entrada perto da encosta da rodovia. Estava escuro mas com os faróis dos carros ajudava perfeitamente a ver. Era alto e tinha uma aparência bem vivida,tinha poucos cabelos e olheiras enormes. Seu Zé, - pensei.
Ele veio até a minha janela e deu duas batidinha para eu abaixala. - eu tinha subido quando começou a ficar muito frio. - Foi o que eu fiz.
-Você é a Ana,certo? - perguntou cauteloso
-Sim,,eu sou a amiga da Amanda o senhor é o seu Zé,estou certa?
-Sim. - pausou - Querida,eu gostaria muito de mostrar tudo para você mas é que eu vou para Curitiba e o ônibus vai passar daqui a pouco.
-Tudo bem,seu Zé.Eu também já conheço um pouco o sitio..eu vim aqui algumas vezes com a familia da Simone então... - ele me interrompeu. Pelo jeito está com pressa,pensei.
-Entendo. Vou te deixar a chave com você...Bom final de semana. - disse ele educadamente
-Para o senhor também e...Boa viagem!
-Obrigado.
Ele foi novamente em direção do portão para carros e abriu para mim. Eu logo virei o guidão do carro para incliná-lo em direção - corretamente - para ir ao portão maior. Quando eu passei entre ele eu dei uma buzinada de gratidão e entrei com tudo. Depois que deixei o carro na garagem eu olhei tudo..Estava a mesma coisa mas não deixava de ser diferente,tinha o galinheiro e o quarto onde tinha os coelhos,o "quiosque" perto da garagem. A cor continuava a mesma, mas dessa vez era um branco e marrom limpo e não amarelado pelo tempo. Eu fui até a trilha - que tinha para não pisar na grama - e percebi que o seu Zé já não estava no portão. Eu acho que nunca fiquei tão feliz em ficar só.
-Por que antes disso tudo acontecer,o que eu mais odiava era ficar sozinho. - sussurrei em voz alta para mim mesma.
E lá estava eu..sozinha...Eu estava só,finalmente.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Página 44.

Ficamos conversando uma hora mais ou menos,depois eu levei o casal 20 - eu comecei a encher a Carol e o Luíz disso - na casa da Carol.Amanda disse que a Carol disse para ela na hora que foram na feirinha
-Minha avó foi visitar os parentes em Santos e eu vou aproveitar para ficar um pouco com o Luíz sem a preocupação de que horas ele tem que ir embora.
Amanda tentou imitar a voz de entusiasmo da Carol mas foi um desastre.Começamos a rir.
Eu levei Amanda logo em seguida.Paramos na esquina e começamos a conversar, e foi numa dessas conversas que vai e vem que ela comentou esse amor ambulante.
-Sinceramente, - disse ela - acho que o namoro deles vai dar casamento.
-Sério?
-Por que, você não acha?
-Na verdade eu acho,mas pensei que era a única que pensava isso.
-E eu também.
Ficamos em silêncio e aquilo me corroía por dentro. Eu encostei a minha cabeça no vidro - que deixei fechado por que estava garoando - e fiquei olhando para o nada,como se aquele nada fosse a única coisa que me entendia,por que era assim que eu me sentia,como um nada. Não pensava em nada que fosse me torturar, mas parecia que ficar em silêncio me corroía mais.Sei que não posso pensar assim. Que não devo olhar para trás e ficar parada sem ir para o meu futuro,mas o “se” não deixa.
-O que você tem? - disse Amanda me tirando dos devaneios.
-Eu acho que só preciso ficar um pouco sozinha,sabe? Para pensar no que fazer. Não posso acabar com a minha vida por causa de uma paixão. Mesmo que esse amor foi tão puro desde o começo,acho que não é bom eu terminar ficando sozinha.
-Você se sente sozinha? - perguntou ela tristemente.
-Sim, - suspirei - principalmente quando não falo. Quando tudo ficar num silêncio eu me sinto...
Não terminei.
-Mas por que você acha que ficando sozinha você vai melhorar? Você mesmo está falando que quando fica sozinha se sente sozinha.
-Eu preciso pensar,mas não sei como pensar com tantas coisas acontecendo. Eu,Ana, não tenho um momento sozinha sem que minha mãe fica me olhando preocupada,sabe? E sinceramente? Não acho que ela tem culpa.Tem vezes que eu até me recuso a olhar no espelho! Eu sei o meu estado.Eu sei que estou parecendo uma morta-vida, mas como que eu vou melhorar se eu não consigo pensar?
-Entendo...E acho que eu posso te ajudar - ela tentou sorrir
-Como? - tentei não parecer tão entusiasmada com o que ela acabara te dizer mas foi inevitável.
-O sítio. - foi a única coisa que ela disse
-mas os seus pais não estão lá? - falei preocupada,mas estava eufórica. Finalmente!
-Você realmente não escutou o que eu disse,né?
Olhei para ela com um olhar de: desculpas
-Eles foram viajar. Querem fazer uma segunda lua de mel. Vão ficar fora por umas duas semanas ou mais.
-Mas e você?
-Eu vou ficar bem. - sorriu - Agora o que mais me importa aqui é você.E se você ficar bem eu fico bem,entendeu?
Eu a abracei
-Você é a melhor amiga desse mundo.
-Você não fica atrás,na verdade,acho que você fica muito a frente.
-Empatadas?
-Empatadas. - concluiu me abraçando - Só não fique triste conosco. - ela incluiu o Luíz e a Carol - Nós só queremos te ajudar. Só estamos fazendo o que achamos que você faria por nós.
-Eu entendo,flor.Eu só fiquei meio desconfortável mas é por que quando falam daquele assunto...eu não consigo relembrar sem tristeza,essa é umas das coisas que preciso pensar.
-Ei,vamos logo para a sua casa,você quer ir hoje ou não?
-Hãm...sim,mas você não quer ligar para os seus pais primeiro?
-Claro que sim,mesmo eu achando que eles não vão se importar..Eu ligo para eles no caminho.
-Então está bem.