terça-feira, 2 de agosto de 2011

Página 44.

Ficamos conversando uma hora mais ou menos,depois eu levei o casal 20 - eu comecei a encher a Carol e o Luíz disso - na casa da Carol.Amanda disse que a Carol disse para ela na hora que foram na feirinha
-Minha avó foi visitar os parentes em Santos e eu vou aproveitar para ficar um pouco com o Luíz sem a preocupação de que horas ele tem que ir embora.
Amanda tentou imitar a voz de entusiasmo da Carol mas foi um desastre.Começamos a rir.
Eu levei Amanda logo em seguida.Paramos na esquina e começamos a conversar, e foi numa dessas conversas que vai e vem que ela comentou esse amor ambulante.
-Sinceramente, - disse ela - acho que o namoro deles vai dar casamento.
-Sério?
-Por que, você não acha?
-Na verdade eu acho,mas pensei que era a única que pensava isso.
-E eu também.
Ficamos em silêncio e aquilo me corroía por dentro. Eu encostei a minha cabeça no vidro - que deixei fechado por que estava garoando - e fiquei olhando para o nada,como se aquele nada fosse a única coisa que me entendia,por que era assim que eu me sentia,como um nada. Não pensava em nada que fosse me torturar, mas parecia que ficar em silêncio me corroía mais.Sei que não posso pensar assim. Que não devo olhar para trás e ficar parada sem ir para o meu futuro,mas o “se” não deixa.
-O que você tem? - disse Amanda me tirando dos devaneios.
-Eu acho que só preciso ficar um pouco sozinha,sabe? Para pensar no que fazer. Não posso acabar com a minha vida por causa de uma paixão. Mesmo que esse amor foi tão puro desde o começo,acho que não é bom eu terminar ficando sozinha.
-Você se sente sozinha? - perguntou ela tristemente.
-Sim, - suspirei - principalmente quando não falo. Quando tudo ficar num silêncio eu me sinto...
Não terminei.
-Mas por que você acha que ficando sozinha você vai melhorar? Você mesmo está falando que quando fica sozinha se sente sozinha.
-Eu preciso pensar,mas não sei como pensar com tantas coisas acontecendo. Eu,Ana, não tenho um momento sozinha sem que minha mãe fica me olhando preocupada,sabe? E sinceramente? Não acho que ela tem culpa.Tem vezes que eu até me recuso a olhar no espelho! Eu sei o meu estado.Eu sei que estou parecendo uma morta-vida, mas como que eu vou melhorar se eu não consigo pensar?
-Entendo...E acho que eu posso te ajudar - ela tentou sorrir
-Como? - tentei não parecer tão entusiasmada com o que ela acabara te dizer mas foi inevitável.
-O sítio. - foi a única coisa que ela disse
-mas os seus pais não estão lá? - falei preocupada,mas estava eufórica. Finalmente!
-Você realmente não escutou o que eu disse,né?
Olhei para ela com um olhar de: desculpas
-Eles foram viajar. Querem fazer uma segunda lua de mel. Vão ficar fora por umas duas semanas ou mais.
-Mas e você?
-Eu vou ficar bem. - sorriu - Agora o que mais me importa aqui é você.E se você ficar bem eu fico bem,entendeu?
Eu a abracei
-Você é a melhor amiga desse mundo.
-Você não fica atrás,na verdade,acho que você fica muito a frente.
-Empatadas?
-Empatadas. - concluiu me abraçando - Só não fique triste conosco. - ela incluiu o Luíz e a Carol - Nós só queremos te ajudar. Só estamos fazendo o que achamos que você faria por nós.
-Eu entendo,flor.Eu só fiquei meio desconfortável mas é por que quando falam daquele assunto...eu não consigo relembrar sem tristeza,essa é umas das coisas que preciso pensar.
-Ei,vamos logo para a sua casa,você quer ir hoje ou não?
-Hãm...sim,mas você não quer ligar para os seus pais primeiro?
-Claro que sim,mesmo eu achando que eles não vão se importar..Eu ligo para eles no caminho.
-Então está bem.

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