Nota da autora: Como prometido...Boa leitura!
Ele continuava a gritar mas cada vez mais estava dificil de eu escutar,cada vez mais eu estava mais dentro da floresta,tentava desviar as samambáias,as raízes...Conseguia na maior parte do tempo mas eu já estava cansada.Me deitei na terra esperando que alguma cobra me mordece,doeria no começo mas nada que seria suportável,depois eu conseguiria descansar em paz.A terra estava um pouco molhada,lembrei que um dia antes tinha chovido,continuei lá...
Amanheceu.
Percebi que eu estava entre muitas árvores.Meu mundo tinha acabado.Começou a chover,a lama que estava úmida em baixo de mim começou a se misturar com a aguá e se espalhando molhando as minhas roupas.Eu chorava com o toque gélido da chuva em minha pele,a questão era a dor.Eu tremia toda,me bati em alguns momentos,por pura agonia...Amanheceu.
-Ana! - gritou uma voz conhecida.
Eu conhecia aquela voz.as será que não era coisa da minha cabeça?
-Aqui! - gritei o melhor que pude mas saiu num sussurro. - Aqui! - tentei de novo - sem sucesso.
Alguns segundos se passaram mas para mim era uma eternidade.
-Ana! - escutei de novo,mas dessa vez estava muito perto.
Escutei passos se aproximando mas não estava nem ai,poderia ser qualquer coisa,eu não ligava.Alguém tampou o céu que eu estava olhando – hipnotizadamente..
-Ana!
-Marco - foi a única coisa que eu disse e depois não me lembro de mais nada.
**********************
Senti alguém me carregar mas não conseguia abrir os meus olhos.Eu estava cançada demais.
-Filha – escutei meu pai gritar ao longe.
-Ela está bem - disse o Marco – Só está cansada
-Me dê ela por favor – implorou meu pai
Senti ele me entregar ao meu pai.
-Minha princesa,nunca mais faça isso novamente comigo – sussurrou ele no meu ouvido.
Só lembro que eu dormi muito.Eu já havia entendido o por que que eu desmaiei justo na hora que o Marco me encrontrou.Eu havia passado dois dias inteiros na mata e não dormira.Escutei a minha mãe conversar com o meu pai e ele passou o tempo todo comigo lá.
-Pai! - esclamei
-Filha estou aqui. - ele veio até mim e ficou mechendo no meu cabelo - Nenhum garoto vai mais machucar o seu coração
Uma lágrima rolou na minha face e quando vi as lembranças vieram.
-Não chore - disse ele tentando disfarçar o choro dele mesmo
-Vou tomar um banho - avisei
Ele assentiu.
Enquantoeu ia para o banheiro parecia morta.Parecia uma morta-viva.Me olhei no espelho e eu estava sem vida.Abri o chuveiro e enquanto a água caía eu jorrava ás lágrimas para fora dos meus olhos.Não aquentava mais nada,nada mesmo.Era muito pra mim.
Reaja – disse meu sub-conciente - Viva.
Eu estava sangrando por dentro.Precisava conversar com alguém que concerteza me aceitaria de braços abertos e que me ajudaria,e não ficasse triste ou com raiva.
Quando sai do banho,fui para o meu quarto e me troquei.Coloquei o meu pijama e fiquei lá.Minha mãe sempre vinha corvesar comigo mas assim que ela saia eu chorava um pouco.E agora eu estou aqui,num quarto cinza,com coisas cinzas e práticamente sem vida.Foi uma semana completamente corrida,quem dera que fosse algo bom mas isso não estava escrito nas estrelas e muito menos no destino.Algumas pessoas tem sorte de lê o futuro e outras tem de escolher a qual caminho percorrer.Eu tinha a segunda opção mas não a usei e agora me arrependi,se arrependimento matasse muitas pessoas ja estariam morta - e eu sou uma delas - pena ou sorte que isso não ocorreu.
Depois de algum tempo no meu quarto,trancada em quatro paredes decidi ir visitar uma velha amiga.Coloquei uma roupa descente - que não usara mais a dias - Me troquei e sai.
Minha mãe estava na sala mechendo vários papéis junto com o meu irmão.
-Mãe vou sair – falei meio fria.
Ela me olhou com aquele olhar de:"Você tem certeza?"
-Eu ja estou melhor. - pausei - Mais tarde eu volto!
Depois disso sai.Fazia dias que eu não vinha para fora de casa.Tudo estava brilhando com a luz do sol,eu amava Iguape.Quando estava com sol deixava ela linda,não ficava cinza mas isso era antes,agora tudo e todos para mim é cinza principalmente a cidade.Se eu tivesse condições para mudar-me eu mudava,essa cidade não tem mais brilho para mim,agora é cidade sem brilho e não Iguape.Tão diferente e ao mesmo tempo tão igual,todos me olhavam alguns com curiosidades e outros com pena...Escutei alguns cochichos mas não liguei.Quando eu estava perto da casa da Amanda eu fiquei um pouco - disse pouco - leve.Eu queria ir lá por três motivos.1-Eu queria pedir desculpas,afinal,ela sempre me avisará da Melina e eu nunca liguei,falava que ela estava errada.
2-Por que ela tinha um coração enorme e concerteza me ajudaria.E a 3-Por que eu sei que ela me deixaria chorar o quanto quisesse.Quando eu cheguei na frente da casa dela fiquei com vergonha de bater ali depois de tanto tempo,afinal,fazia um ano e meio que não nos falavamos direito,sempre que passavamos na rua era:”Oi,tudo bem?” “ Eu estou bem,obrigada”,e só isso e agora eu estou aqui remoendo o passado com medo e envergonhada.Quando eu levantei a cabeça pronta para gritar o nome dela,ela estava na minha frente me olhando fraternamente e carinhosamente como sempre.Ela levantou seus braços e eu entrei neles como se estivesse mergulhando numa piscina cheia de água pela primeira vez,mas para mim aquilo não era um piscina cheia de água esim uma piscina cheia de carinho,compreenção,amizade...
-Me perdoa? Me desculpe eu fui uma completa idiota.. - eu dizia atropelando as palavras
Ela sorriu
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