Sai do quarto dela e fui para o meu. Peguei meu celular que estava no meu bolso, disquei o número.
-Alô, Ana?
-Sim, amor.
-Então, é um sim?
-Infelizmente é um “não” – Falei cuidadosamente – Minha mãe e meu pai têm um baile do dia dos namorados adiantado hoje, com os amigos, e eu vou ter que ficar de babá do Pietro, desculpe-me
-Mas e a babá dele?
-Hoje é sexta-feira, ela tem outra crianças para olhar, quando é assim tem que ligar para ela antes.Minha mãe esqueceu e só lembrou hoje. Desculpa.
-Tudo bem, vou desmarcar com a galera. Não quero ir sem você, Srtª.Ana Andrade – ele riu
-Não precisa fazer isso. Se eu não me engano a Melina vai estar lá, você pode ficar com ela, depois que o Pietro dormir eu te ligo e você vem para cá. Está bem?
-Perfeito, então até mais tarde. Tchau,te amo!
-Também te amo.
Desliguei o meu celular.
Fui para o sofá e fiquei imaginando eu com o Léo, todos os momentos que passamos juntos, mas de repente a imagem dele desapareceu e ficou tudo negro. Abri meus olhos e quando percebi estava ofegante, decidir ir até a cozinha onde todos se encontravam:Pietro, minha mãe Tereza e o meu pai que estava num terno muito lindo.
-Boa noite Sr. Gustavo – Até então eu não tinha visto o meu pai.
-Boa noite querida !
-Quem te emprestou o smoking?
-Eu não posso ter um só meu?
Minha mãe estava segurando o riso.
-Quem? - perguntei crítica segurando o riso.
-Seu tio me emprestou – Ele fez olhar de triste.
Eu e minha mãe começamos a gargalhar.
Depois que terminamos eu peguei uma maçã e comecei a comer. Os dois estavam lindos,minha mãe estava terminando de colocar a gravata borboleta nele.
-Lindos – eu disse quando ela acabou.
Meu pai veio até mim, pediu a minha mão – eu concedi – E quando eu percebi ele estava me guiando numa pequena valsa que eu e ele sempre dançávamos, desde quando eu tinha 5 anos de idade.
-Que lindo! – Foi a única coisa que minha mãe disse – Gustavo, vamos? Já está na hora.
Depois disso cada um deles deu um beijo na minha bochecha e no meu irmão e foram.
-Onde eles foram? - perguntou meu irmão bocejando.
-Foram numa festa onde crianças não entram – eu saí pegando ele no colo e fui levando-o para o banheiro.
-O que foi? - ele perguntou quando eu o olhava admiranda.
Meu irmão era lindo, sua pele morena combinava perfeitamente com os seus olhos castanhos claros que puxou da minha mãe e o seu cabelo preto que puxou do meu pai.
-Nada.
-Sei... – Ele disse num tom de descrença que eu ri. Ele não entendeu nada.
-Ana,estou com fome! - ele fez um biquinho.
-Como uma criança de quatro anos pode ser tão pidona?
Ele sorriu
-Não sei!
Eu ri.
-Vamos fazer o seguinte? Enquanto eu esquento a janta você se troca, está bem?
Ele assentiu
-Seu pijama está na primeira gaveta – eu gritei quando ele saiu correndo para o quarto.
Esquentei um prato de sopa, estava uma noite fria porém agradável. Eu fiquei lembrando e relembrando.
-Como foi a escola? - Perguntei para o Pietro enquanto ele comia.
-Foi bem. A sopa está muito boa!
-Agradeça a sua mãe e ao fogão.
Ele riu e eu o acompanhei. Assim que ele terminou de comer eu o levei no colo até a sala, coloquei um DVD de desenho e quando eu percebi ele estava sonolento. Eu me sentei no sofá maior, enquanto ele estava todo esparramado quase dormindo no sofá pequeno.Fiquei lembrando da hora da escuridão em meus olhos. O que aquilo significava? Eu nem estava dormindo!?
Eu fechei meus olhos.
Comecei a ter um sonho bom.
Eu estava num campo, ele era verde claro e cheio de borboletas de todas as cores,t inha vários tipos de flores e muitas marias-sem-vergonha, olhei para o céu e estava num azul-claro magnifico; então eu o vi, o Léo estava bem na minha frente.
-Léo – gritei
Ele me olhou mas só deu um meio sorriso triste.
-Ana!
Eu olhei para o outro lado e lá estava o meu melhor amigo. Marco, ele eu sempre fomos bons e melhores amigos, ele estava viajando com um Circo, nós sempre nos falavamos por telefone e tudo mais...Mas agora ele estava diferente, ele continuava com os mesmos olhos azuis que me acalmavam, continuava bronzeado, só que estava encorpado – em todos os sentidos – Eu estava morrendo de saudades dele, fazia 1 ano e meio que o Circo não vinha para cá. Eu e ele crescemos juntos éramos como irmãos, o meu irmão mais velho, ele só tinha alguns meses de diferença, só tinha 20 anos e vai fazer 21 em Agosto e eu vou fazer 20 semana que vem. Marco sorria para mim e eu correspondia.
-Léo! - gritou uma voz conhecida e quando eu olhei era a Melina.
Ele olhou para ela e quando ela chegou perto os dois se beijaram, ela estava completamente empolgada e ele estava calmo.
-Não! - gritei.
Ele me olhou e olhou para o chão,ela começou a rir e ele ficou quieto praticamente uma estátua. No mesmo instante que eu comecei a chorar sincronizadamente uma gota da chuva caiu do céu. Eu olhei para cima e estava tudo cinza, não tinha cor, era um céu morto, morto como eu naquele momento. Olhei para longe onde eles tinham que estar e não tinha nenhuma Melina e nenhum Leonardo, só tinha o Marco. Ele veio até mim, só então percebi que eu estava ajoelhada no campo que agora não era verde, era só lama, ele sentou ao meu lado e falou:
-Tudo vai ficar bem, tudo vai se resolver.
Abri meus olhos.
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