sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Página 19.

Depois disso eu fiquei tão alegre e estraordinária que nem fui para casa me trocar.Quando falamos para todos eles ficaram felizes e vi o Leonardo ficar aliviado! Eu liguei para a minha casa e minha mãe levou o meu vestido e a fantasia do Marco - que agora era do Bruno - Dona Cecília me convidou para me arrumar lá - Ela que fez a minha maquiagem.Depois que terminamos,fomos para o salão - que na verdade era a quadra de uma escola enorme. - Assim que chegamos ele pediu para uma menina tirar um foto de nós dois juntos.Eu estava com um vestido branco com circulos pretos e ele estava com um terno,metade branco e metade preto.Minha mãe usou seu curso de corte e costura em nós.

Enquanto eu e o Marco chegavamos mais perto da esquina da minha casa,eu fechava o colar que o Bruno me dera - a qual tinha abrido com a lembrança do meu passado juvenil e feliz - agora eu já era uma mulher que tinha que pensar no futuro.Que começo de vida banal - pensei.
Eu e o Marco paramos na frente do portão de madeira da minha casa.
-Enfim o Romeu deixa a sua Julieta - ele colocou a mão sobre o coração - Meu coração está partido - ele disse dramático.
Eu ri
-Que Julieta você arranjou - tirei sarro de mim mesma
-Você deveria falar isso de mim e não de você - ele sussurrou
Eu sorri.
-Você não quer entrar? - perguntei por educação.Eu sinceramente não queria que ele entrasse,eu queria ficar um pouco só,para pensar se o que eu estava fazendo valia a pena,ele não tem culpa de nada,ele não pode passar o tempo com uma pessoa que não sabe direito o que quer,eu poderia fazer isso com qualquer pessoa mas com ele não,com ele não deve.
-Não,eu tenho que conversar com pessoal hoje tem show esqueceu?
-Verdade,me perdi completamente
-Você quer ir? - ele perguntou sorrindo
-Não,eu estou muito cançada,afinal foi uma tarde cançativa - foi mesmo.Sorri maliciosamente com a lembrança,mas não por que foi bom mas só para ter uma desculpa
-Claro,verdade - ele disse e deu mais um beijo - Afinal,ficar a tarde inteira entre beijos,abraços,conversas é muito cançativo - eu senti uma pontada de julgamento ou foi empressão minha? Deve ser,estou muito louca últimamente
-Amanhã eu vou lá te ver - eu disse
-Negativo,amanhã eu vou vir para perdir a sua mão para o seu pai
-Mas... não.. - gaguejei,aquela sena de novo seria constrangedor
-Precisa sim. - ele disse.Ele me deu um beijo rápido - Agora eu tenho que ir. - ele beijou o alto da minha testa - Eu te amo
-Eu também
te amo - gaguejei nas ultimas duas palavrinhas
Ele sorriu e eu entrei.Eu nunca tinha dito aquelas palavras para mais ninguém,eu não queria dizer mas ele estava sendo tão bom comigo que eu não tive como não fazer isso,se eu tivesse falado só:eu também,não teria nada haver e eu o magoaria mais ainda.A palavra
eu te amo eu já falei tantas vesez para ele mas não falei com o real propósito que ele queria,não com a verdadeira raís da tal palavra e na sua obra eu não tinha tal desejo por ele para falar aquelas três palavrinhas mágicas,sim,eu gostava dele mas não como ele de mim.Ele não poderia se apaixonar por outra pessoa? Droga!
Eu não queria fazer aquilo com ele,eu não queria fazer aquilo com ninguém ainda mais se é com ele,mas quando eu estou com ele eu me sinto tão leve...tão feliz...tão forte...tão...
viva! Essa é a palavra certa,tão viva é assim que eu me sinto quando estou com ele,mas não poderia ser tão mesquinha a ponto de colocar a felicidade que ele poderia ter com outra pessoa no lixo,não mesmo.
Quando eu entrei minha mãe estava na sala ninhada com o meu pai no sofá maior.Eu sorri para eles e eles sorriram de volta
-Que bom que você chegou,filha - disse meu pai,eu fui até ele e dei um beijo no alto da sua testa.
-Concordo,você estava demorando muito.Alguma novidade? - perguntou a minha mãe,eu enrruguei a testa - Eu estava vendo você e ele no portão,quer que eu conte? - seu tom de ameaça me assustou
-Não tudo bem,eu e o Marco estamos namorando,ele vai vir pedir oficialmente para o senhor amanhã - eu disse naturalmente
-Que bom que você está levando a vida,filha,fico feliz por você - disse meu pai se levantando e me abraçando.
-Onde que está o Pietro,estou com saudades do meu pirralho - eu brinquei
-Estou aqui na cozinha - ele gritou
Eu fui em direção a cozinha,quando eu cheguei lá ele estava fazendo sua lição.
-Estou fazendo lição - ele disse - Sozinho - ele disse alegre
-Que bom,faz direitinho.
Ele assentiu.Meu irmão sempre pedia ajuda para fazer lições,ele dizia que não entendia mas no fundo só tinha preguiça de pensar.Eu amava o meu irmão mais que tudo na minha vida,mataria e morreria por ele.Quando a minha mãe estava grávida o meu pai trabalhava muito e eu sempre acabara cuidando dela,ela dizia que me considerava a segunda mãe do Pietro,eu que escolhera o nome dele,meu pai queria um e minha mãe outro mas ela pediu a ele que eu escolhesse e ele aceitou,eu coloquei Pietro por que era o nome do meu avô que falheceu quando eu tinha cinco anos de idade.Eu não me lembrava muito da sua feição mas eu sei que ele e eu erámos muito unidos.Minha mãe me disse que meu avô ficou do lado dela quando descobriu que estava grávida ao contrário da minha avó que ficou estapantada.Minha mãe tinha a minha idade mas naquela época a vida era muito complicada,ela estava trabalhando para pagar uma faculdade e descobrir que estava grávida foi um choque,mas o meu avô a apoiou e ele a ajudou no principio,pediu para o meu pai se mudar para a casa deles,ela me disse que ele dizia: "que morar em casa de sogra não é a melhor coisa do mundo".Ela me disse quando eu perguntei uma vez o porque dele dizer isso.

-No começo da vida dos dois a sua avó foi expulsa de casa,o pai era contra o casamento deles então ela foi morar junto com ele na casa da mãe dele,ela sofria muito,era básicamente uma empregada,ele a via sofrer mais não podia fazer nada,ele me dizia que só se torturava psicológicamente e sempre dizia a ela que eles venceriam na vida.Dito e feito. - disse a minha mãe uma vez quando eu tinha dez anos de idade,estavamos olhando umas fotos de familia.

Meu avô ajudou os meus pais.Como a minha avó era um pouco não a favor deles ficarem juntos sem casamento meu avô ajudou-os a se casarem.As amigas de infância e da faculdade - principalmente a Simone - fizeram uma festa de casamento junto com o chá de bebê.Meu avô deu um pedaço do terreno dele para os meus pais.Meu pai largou a faculdade e arrumou um trabalho de segurança,no começo ele não ganhava muito mas ganhava o suficiente para juntar com o dinheiro que sobrava da minha mãe,então aos poucos eles foram comprando material de construção e montaram:o quarto,cozinha e banhiro deles.Meu avô ficou feliz com o término da contrução.Mas depois de alguns dias de felicidades minha avó morreu,no ínicio ele ficava amoado dentro da casa mas só voltou a viver quando eu nasci,mais um pouco depois do meu aniversário de cinco anos ele morreu e deixou a casa para nós.No começo eu não entendia muito mas sempre que eu ia no semitério com a minha mãe com uma rosa branca e via uma lápide preta e ela dizia:Seu avô está melhor agora.

Depois que eu dei uma ultima olhada no Pietro eu percebi o quão ele era parecido com o meu avô,depois disso fui na geladeira peguei uma pêra e fui para o meu quarto,nunca me vi pensar tanto.O que eu faria com o Marco,continuaria tentando a me apaixonar? Continuaria o enganando?
Por que tudo está acontecendo comigo assim?
Eu não queria enganar o Marco mas o Leonardo não saia da minha cabeça e principalmente do meu...coração.Eu queria tanto amar o Marco como ele merecia e como devia ser amado mas o meu coração não pensava assim,eu não vou negar que eu fui um pouco precipitada mas agora eu vejo que o que eu fizera era errado e agora é tarde demais para voltar atrás,mas eu também pensei na minha felicidade,eu nunca vou conseguir ser feliz de novo se não tentar e pelo menos com o Marco eu já sinto uma segurança e sinto algo,ele me faz rir,me deixa mais leve,quando eu estou com ele a dor que me afeta pára imediadamente e o buraco no meu peito é enchido,é como se ele fosse a minha salvação,como se ele trouxece a minha vida de volta,ele parava de me deixar inércia,ele era totalmente completamente a minha salvação.Eu sei que o que eu estou fazendo é errado mas vai ter que ser assim,o meu erro foi de ter saido e entrado num relacionamento muito cedo,eu deveria ter deixado as coisas se acalmarem em vez de ter começado esse relacionamento cedo,agora eu me ferrei mas do que eu já estava cheia de dúvidas.Quer saber? Vou deixar a vida me levar,se algum dia - eu espero - ele achar alguém que o ame e ele também eu espero que ele siga o seu caminho,mas também espero algum dia gostar dele como ele gosta de mim.
Eu fui dominada pela insegurança de um dia não ter mais amor,amar alguém ou sei lá o que,mas será que isso aconteceria? Será que eu nunca mais amaria alguém de novo? Porcaria de insegurança – pensei.

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