domingo, 14 de novembro de 2010

Página 12

-Ana?
-Sim? - perguntei
-Vamos?
-Não.É.. - como que alguém fala para outra pessoa dormir com você?
-O que? - ele viu que eu tinha alguma pergunta
Abaixei a minha cabeça
-Você poderia dormir comigo essa noite? - perguntei olhando para o chão
-Como assim? - o sorriso se fechou para um desentendimento fatal.
-Você pode entrar para conversarmos direito? - pedi levantando a cabeça e dando um meio sorriso.
Ele abaixou a cabeça.
-Não.É falta de respeito - ele deu um sorriso torto
-Eu não vou de seduzir e nem nada,eu não sou um monstro.Eu só quero te falar o por que do meu pedido - ele pensou - Vem,não vamos ficar aqui na porta do meu quarto ou vamos?
Ele assentiu e entrou.
-Sente-se - eu apontei para a cadeira
-Então? - ele perguntou depois de se sentar.
Por onde que eu começo? Como que eu falo para ele ficar comigo para eu poder dormir bem,e também por que eu preciso passar cada segundo que me resta com ele? Já sei – pensei.
Respirei fundo
-Eu queria ficar um pouco com você,só isso - dei de ombros
Ele me olhou com incredulidade e ficou sem expreção por um minuto - que para mim era uma eternidade.
-Eu realmente preciso ir! - ele disse um pouco exásperado como quem escuta uma piada de mal gosto.
Eu me sentei mais para o meio da cama,ele abriu a porta e um buraco abriu no meu peito.
-Não – pedi.Ele me olhou - Por favor - choraminguei
-E o seu pai? - ele pareceu quase decidido.
-Eu não vejo mal nenhum você se deitar comigo,e também não vamos fazer nada demais,só dormir - E eu ficar mais aliviada (mas não foi o que eu disse)
Ele assentiu.
Eu me deitei de vez na cama e dei um espaço para ele.
-Fecha os olhos.
-Por que? - perguntei
-Vou tirar a camisa
-Só por isso? - perguntei incrédula
-Você acha “Só isso”? -
ele perguntou incrédulo
-Eu não tenho mais trêze anos de idade.Eu já tenho vinte.Já sei
muito da vida.
Ele fechou a cara.
-Esqueci,mas para mim você é... - ele não terminou a frase e deu de ombros
Ele virou de costas para mim e tirou a blusa branca que estava - eu não me importei - mas quando ele virou para mim - ai sim eu me importei - Seu peitoral estava todo esculpido,nem parecia aquele garoto que saiu daqui com desseseis anos sem
nada.Um frio percorreu a minha espinha e eu fiz de tudo para não transparecer.Abaixei a cabeça
-Aconteceu alguma coisa? - ele perguntou
-Não. - disfarcei - Só estou com sono - fingi um falso bocejo.
-Que bom...Eu esqueci de escovar os dentes
-Todo mundo pelo menos uma vez na vida esqueceu de escovar os dentes
-Mas...
-Se é isso que tanto te preocupa,na primeira gaveta da pia do banheiro tem uma escova reserva novinha lá,pode pegar
Ele assentiu e saiu.Minha mãe sempre comprava para alguma eventualidade.Eu fiquei lembrando de momentos que passei junto com o Marco,foram tantos momentos,brigamos muito mas as reconciliações eram as melhores partes.Já saímos muito principalmente quando não tinhamos idade - mas entravamos ou erámos barrados - Ele ja me apoiou e me deu bronca quando necessário mas também já me magoou bastante.Eu gostava muito dele talvez até...Não! Isso não,eu não gostava dele,se eu fizesse algo com ele logo eu me arrependeria,por mais que eu sei que ele me ajudaria a esquecer o Léo eu não poderia fazer isso,eu gosto dele mas não amar,como um homem ama uma mulher,não é o mesmo sentimento.Quando eu disse não para o convite que o Léo me fez alguns dias atrás eu atirei no meu coração,por mais que a Melina tivera culpa ela não teve tanta culpa como eu tivera em mim mesma.Se algum dia eu gostar de novo de alguém espero que seja alguém que nem o Marco mas não agora,eu estou tão magoada que talvez acabaria machucando ele...
Ele entrou e sorriu
-Vem - eu o chamei para o meu lado.Ele apagou a luz quando eu liguei o meu abajour e se deitou do meu lado
-Você sabia que eu te amo?
-Sim e você sabia que eu também te amo?
-Concerteza - ele ficou em silêncio,nós dois nos olhamos.
Os olhos dele eram tão lindos que eu fiquei o admirando, e ele olhava para mim com uma alegria e um outro sentimento que eu não sabia agora mas imaginava,e torcia para estar errada,eu jamais poderia machucar ele.Ele levantou a mão e tirou uma mexa de cabelo que estava no meu rosto - que eu não percebi - Quando ele me tocou,mesmo sendo delicado,eu fiquei nervoza.
-Ana.
-Marco - dissemos aos sussurros.Ou não,diz para mim que isso não! Nossos rostos se aproximaram mais,quando percebi estava a uns dois centimetros de seus lábios,sentindo sua respiração tocar na minha pele e seus lábios roçando de leve nos meus,desviei meus rosto o beijando na bochecha - Boa noite - eu disse quase aliviada – Amanhã eu vou te levar ao que prometi.
-Boa noite - ele disse calmo.Que sorte!

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