sábado, 9 de julho de 2011

Página 42.

Eu estava sendo sincera, mas um vazio tomava conta de mim.Era instantâneo, mas ficava mais forte ainda quando eu pensava nele ou quando lembrava e até sonhava do que poderia ter acontecido e que não aconteceu.E esse era o meu erro,pensar no que não aconteceu,no que poderia ter acontecido e não aconteceu.
-Que bom. - pausou uma Carol avoada sem perceber que me ferira com sua palavras seguintes - Eu fiquei chocada quando a dona Cecília falou para mim que eles iam se casar mas pelo menos ela foi gentil com você te avisando primeiro.
E aquele baque me tomou. Ah,Carol – pensei chorona.
-Ela pode ter sido gentil mas não por que quis. A Cecília não suporta a ideia de ver o filho sofrer de se casar com alguém que não ama. Isso sim é a verdade,Carol,isso sim.
-Talvez você está certa,mas talvez ela só tem interesse com isso tudo.
-Talvez. - repeti
Talvez nada,com certeza tinha interesse – pensei.
Ficamos em silêncio por um momento.
-Você ainda não superou,né? - disse ela novamente percebendo a minha cara de chateada com suas perguntas.
-Não.
-É muito difícil ser traída,não é a toa que a minha mãe se separou do meu pai.
-Mas esse não é o pior - disse a olhando
Voltei a olhar pro nada.
-Então qual é?
-O pior é que ele foi tão covarde que não me contou.Ficou com medo da minha reação,mas talvez se ele tivesse me contado a história poderia ter sido outra. - suspirei;
-Mas,Ana,você acha que se ele tivesse te contado você teria perdoado ele e,talvez,agora vocês estariam juntos?
-Não sei,Car, talvez sim,talvez não.Mas sabe? - a olhei - Acho que eu ja até o perdoei – sussurrei e uma lágrima caiu no meu rosto - Acho que eu estou machucada e por isso que estou triste.
A Carol escutava tudo atenta e do lado dela estava a Amanda me olhando maternalmente.Mas sem contar para elas,eu dizia tudo aquilo não para falar que eu estava sofrendo e desabafar,mas sim para simplesmente contar para mim mesma,para que talvez no fim de tudo eu,Ana,saber que não era um pesadelo como eu queria mas sim a realidade da minha vida naquele instante.
-Pense pelo lado positivo, - disse ela com uma voz mais animada,tentando levantar o meu astral - Vamos voltar a estudar todos juntos.E você Dona Ana,vai ter que encher a sua cabecinha com a "faculdade" e vai melhorar o seu astral com... - pausou procurando uma palavra certa – coisas importantes pra vida.
Mas o Leonardo é importante pra minha vida. - pensei.
Não,Ana,não pense naquele garoto idiota. Ele estragou a sua vida,garota – falava aquela vozinha me alertando do meu sub conciênte.
-Espero. - sussurrei. Não é a toa que eu voltei a trabalhar e a estudar.
Graças aos céus o Luíz veio com os nossos milk's shake por que senõa eu não iria mais suportar a idéia de ficar falando do acontecido.Seria terrivelmente trágico para mim e completamente doloroso.E então,depois de algum tempo,eu vi o Luíz olhar para a minha feição e a Amanda falar alguma coisa com os lábios,sabe? Sem som e o Luíz fez um sinal para se retirar e levar a Carol – que não tinha visto nada – com ela.
-Gente,eu vou ali na feirinha com a Carol e já volto - disse a Amanda depois de alguns minutos que terminaram de beber a bebida.
Nós apenas assentimos.
Ficamos em silêncio.Eu e o Luíz éramos os únicos a não terminarem o milk shake e isso meio que incomodou as meninas que estavam loucas para comprar um brinco indiano - especialmente a Carol - ela disse que iria estreiar na festa a fantasia na semana seguinte,ela iria de indiana,e acho que a Manda usou isso como desculpa. O Luíz logo começou aquele assunto enquanto elas estavam virando a esquina.
-Como você está? - perguntou preocupado. O olhei e tentei dar o meu melhor sorriso para aquele garoto do meu lado que sempre me ajudou.O Luíz era muito querido por mim,na verdade todos os meus amigos que fizeram o Terceirão eram muito queridos por mim,já que,sempre foram verdadeiros e vivemos tantas coisas juntos! Mas o Luíz em especial era..qual a palavra? Especial. Ele era um garoto caucaseano amorenado pelo sol,com os olhos castanhos e um cabelo liso e preto cortado arrepiado e tão fofo com todos. Mas não era o seu bio tipo que era especial e sim o seu caráter.O Luíz desde que nos conhecemos no segundo ano que ele é o pai de todos e ajuda todos que pedem ajuda para ele.
-Bem – menti.Não queria que ele começasse de novo com aquele assunto que eu estava falando com a Carol minutos antes,por isso me fiz de desentendida.Mesmo sendo o Luíz.
-Não estou falando nesse sentido. - explicou ele
Como se eu já não soubesse – pensei.E me desculpa,Lu,mas não consigo.
Suspirei.
-O que você acha? - disse um pouco exásperada colocando logo o que eu estava sentindo.
-Nada bem,mas eu não te culpo. - suspirou pegando na minha mão e me dando aquelas batidinhas - Você está muito chateada com ele? Ou está mais para machucada?
O Luíz era um dos meus melhores amigos,ele o Marco e o Bruno eram realmente os meus melhores amigos - mas a minha relação com o Marco - que eu não sei por onde anda então descarta a nossa "amizade" por enquanto. – Então o Luíz me conhecia bem o bastante para saber como eu estava,me conhecia tão bem que até sabia quais eram as minhas opções.
-Acho que eu estou mais para a segunda opção.
-Entendo.
-Sabe? Tipo,eu tive que saber por terceiros e não por ele.Eu acho que é por causa disso que eu me sinto mais triste - levei a mão ao peito - Dói aqui,Luíz,e essa dor é como se fosse uma facada.- eu estava segurando as lágrimas para não chorar ali e ele percebeu isso,por que o seu movimento foi único: Me abraçar.

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